O Almoxarifado Azul e o Desejo que Não Explodiu
Eu a vi ali, no buraco fedorento do almoxarifado, revirando caixas de merda como se fossem tesouros. Colega de trabalho, casada com algum babaca invisível, mas quem liga? A gente se cheirava como cachorros no cio desde o primeiro dia. Química pura, do tipo que faz o pau endurecer e o cérebro derreter. Ela tinha curvas que gritavam "foda-se o anel no dedo", peitos que balançavam sob o vestido azul – um azul safado, colado na carne como suor de putaria.Estávamos caçando porcarias no estoque, corpos roçando por acidente, ou nem tanto. O ar cheirava a poeira, óleo e tesão reprimido. Eu não aguentei mais. "Eu te desejo, caralho", soltei, voz rouca como um gato no cio. Ela não recuou. Seus olhos piscavam molhados, pupilas dilatadas de fome. Me aproximei, segurei aquela cintura fina como se fosse minha por direito, dei um puxão nos cabelos pretos e maravilhosos dela – loiro? Não importa, eram fios de seda selvagem – puxei devagar, forçando o rosto dela pro meu, olhos nos olhos. Brilhavam, porra, brilhavam como estrelas caindo no esgoto.Nossos narizes quase se tocaram, hálito misturado com cheiro de almoço ruim e luxúria. Eu podia sentir o calor da boceta dela através do vestido, o corpo todo tremendo de "vai ou não vai". Meu pau latejava nas calças, pronto pra rasgar tudo. Mas aí? Eu parei. Me afastei como um covarde de merda. "Volta pro teu marido", pensei, ou talvez tenha dito em voz baixa. Continuamos revirando as caixas, fingindo que nada rolou. Silêncio grosso como porra seca.Depois daquele dia, sumiu. Distância fria, olhares desviados no corredor. Ela voltou pro casório de fachada, eu pro meu buraco solitário. Desejo não consumado é veneno, brothers. Fica podre na alma, apodrecendo devagar. Aprendi? Que se foda. A vida é uma foda interrompida, e o almoxarifado azul ainda me assombra nas noites de uísque sozinho.

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